Lesão por pressão (escara): como prevenir e cuidar em casa
Aviso importante
Este guia tem finalidade educativa e não substitui a avaliação nem a orientação de profissionais de saúde. Cada pessoa acamada tem um quadro único, e as condutas de prevenção e tratamento da lesão por pressão devem ser individualizadas por uma equipe de enfermagem e pela equipe médica. Sempre siga o plano de cuidados definido pelos profissionais que acompanham o seu familiar. Se você notar qualquer alteração na pele ou sinal de piora, avise a enfermagem responsável. Em situações de emergência, ligue para o SAMU 192.
O que é lesão por pressão (escara)?
Lesão por pressão, popularmente chamada de escara, é um dano na pele e nos tecidos abaixo dela causado por pressão prolongada sobre uma mesma região do corpo, em geral sobre uma proeminência óssea. Ela acontece com mais frequência em quem passa muito tempo deitado ou sentado na mesma posição, como pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. É um problema sério, mas em grande parte previsível e passível de redução de risco com cuidados consistentes no dia a dia.
A mesma condição aparece com vários nomes no dia a dia e nos serviços de saúde: "escara", "úlcera por pressão", "ferida de cama", "ferida em acamado" ou "ferida de decúbito". São expressões que se referem, na prática, ao mesmo tipo de lesão. Neste guia usamos preferencialmente o termo técnico atual, "lesão por pressão", mas mantemos a palavra "escara" ao longo do texto porque é como a maioria das famílias conhece e procura o assunto.
Como a lesão por pressão se forma
O mecanismo principal é a pressão contínua entre um osso e a superfície de apoio (o colchão, a cadeira, o assento). Quando o peso do corpo comprime a pele contra a cama por tempo prolongado, os pequenos vasos daquela região ficam "apertados" e chega menos sangue ao tecido. Sem sangue suficiente, as células recebem menos oxigênio e nutrientes; se essa compressão não for aliviada, o tecido começa a sofrer e pode morrer, dando origem à ferida. Por isso o cuidado central da prevenção é simples de entender: aliviar e redistribuir a pressão antes que o dano aconteça.
Além da pressão, dois outros fatores mecânicos costumam agravar o problema:
- Cisalhamento: acontece quando a pele fica "presa" à superfície enquanto os tecidos por baixo escorregam em outra direção. É o que ocorre, por exemplo, quando a cabeceira da cama está muito levantada e a pessoa vai escorregando para baixo aos poucos; a pele do sacro fica no lugar, mas o esqueleto desliza, e essa tensão interna danifica os tecidos e os vasos.
- Fricção (atrito): é o esfregar da pele contra o lençol ou a roupa, comum quando a pessoa é arrastada na cama em vez de erguida ou rolada. A fricção machuca a superfície da pele e a deixa mais frágil e vulnerável.
Umidade excessiva (por suor, urina ou fezes) não causa a lesão por pressão sozinha, mas deixa a pele amolecida e mais suscetível ao atrito e a lesões de pele associadas, o que aumenta o risco. Por isso o manejo da umidade e da incontinência faz parte da prevenção, como você verá adiante.
A mudança de nome: de "úlcera por pressão" para "lesão por pressão"
Se você já ouviu "úlcera por pressão" e agora vê "lesão por pressão", não se preocupe: houve uma atualização de terminologia. Em abril de 2016, o painel norte-americano de referência no tema (o National Pressure Ulcer Advisory Panel, NPUAP) anunciou a troca do termo "úlcera por pressão" por "lesão por pressão", com o argumento de que o novo termo descreve com mais precisão tanto as lesões em pele já ulcerada quanto aquelas em pele ainda íntegra, como o estágio inicial e a lesão tissular profunda. Na mesma revisão, os estágios passaram a ser escritos com algarismos arábicos (1, 2, 3, 4) em vez de romanos, e foram incluídas categorias específicas, como a lesão por pressão relacionada a dispositivo médico e a lesão em membrana mucosa.
No Brasil, essa classificação revisada de 2016 foi traduzida e adaptada culturalmente por associações de enfermagem especializadas, a SOBEST (Associação Brasileira de Estomaterapia) e a SOBENDE (Associação Brasileira de Enfermagem em Dermatologia). É por isso que "lesão por pressão" é hoje o termo técnico de referência usado pela enfermagem. Na prática do dia a dia, porém, "escara" e "úlcera por pressão" continuam amplamente usadas e significam a mesma coisa.
Onde as escaras costumam aparecer no corpo?
As escaras aparecem principalmente sobre as proeminências ósseas, ou seja, nos pontos em que um osso fica mais próximo da pele e concentra o peso do corpo contra a superfície de apoio. Os locais de maior risco mudam conforme a posição em que a pessoa passa mais tempo. Segundo os protocolos brasileiros de prevenção (Ministério da Saúde/Anvisa/Fiocruz), as regiões mais atingidas incluem o sacro, os calcanhares, os ísquios (os ossos do bumbum), o trocânter (o osso do quadril), a região occipital (nuca) e as escápulas.
Conhecer esses pontos é importante para você saber exatamente onde olhar e onde proteger. Veja como eles se distribuem por posição:
Deitado de costas (decúbito dorsal)
- Sacro e cóccix (a base da coluna, logo acima do bumbum): é um dos pontos mais frequentes e mais graves.
- Calcanhares: área de altíssimo risco, porque o osso é muito superficial e recebe todo o peso da perna. Merecem atenção especial.
- Cotovelos.
- Região occipital (a parte de trás da cabeça, a nuca), sobretudo em pessoas mais magras ou com pouca mobilidade do pescoço.
- Escápulas (os ossos das costas, na altura dos ombros).
Deitado de lado (decúbito lateral)
- Trocânter (o osso lateral do quadril): ponto crítico quando a pessoa fica apoiada diretamente sobre o quadril.
- Maléolos (os ossos salientes do tornozelo), especialmente onde uma perna pressiona a outra.
- Joelhos (as laterais que se tocam) e a região entre os joelhos.
- Orelha e lateral da cabeça.
- Ombro.
Sentado (na cadeira ou na poltrona)
- Ísquios (os ossos do bumbum sobre os quais a gente se senta): concentram muita pressão na posição sentada.
- Sacro e cóccix, principalmente se a pessoa escorrega e fica "jogada" para trás no assento.
- Calcanhares e a parte de trás das pernas, se os pés ficam pendurados ou mal apoiados.
Vale reforçar um ponto prático: a posição sentada, embora pareça mais confortável, também oferece risco alto porque concentra o peso em uma área pequena (os ísquios). Por isso o alívio de pressão também precisa acontecer na cadeira, e não apenas na cama.
Quem tem mais risco de desenvolver escaras?
Tem mais risco de desenvolver escara quem fica muito tempo na mesma posição e não consegue se mover sozinho, como pessoas acamadas ou com mobilidade muito reduzida. Além da imobilidade, pesam fatores como idade avançada, desnutrição e desidratação, incontinência e umidade na pele, redução da sensibilidade ou do nível de consciência, diabetes e má circulação. Quanto mais desses fatores se somam, maior o risco, e mais importante fica a prevenção diária.
Entender por que cada fator aumenta o risco ajuda você a agir sobre o que é possível:
- Imobilidade / estar acamado: é o principal fator. Quem não muda de posição sozinho mantém a pressão sobre os mesmos pontos por tempo demais. É o caso de pessoas acamadas, após cirurgias, com sequelas de AVC, com doenças neurológicas avançadas ou em recuperação prolongada.
- Idade avançada: com o envelhecimento, a pele fica mais fina, menos elástica e mais frágil, cicatriza mais devagar e resiste menos ao atrito e à pressão.
- Desnutrição e desidratação: sem proteína, calorias e líquidos suficientes, o corpo tem menos recursos para manter a pele íntegra e reparar pequenos danos. Por isso a nutrição e a hidratação entram no centro da prevenção.
- Incontinência e umidade: urina, fezes e suor deixam a pele amolecida e irritada, mais vulnerável ao atrito e a lesões associadas.
- Redução da sensibilidade ou da consciência: quem não sente o desconforto (por lesão neurológica, sedação, coma ou diabetes com neuropatia) não recebe o "aviso" natural do corpo para mudar de posição, e a pressão se prolonga sem que ninguém perceba.
- Diabetes e má circulação: doenças que comprometem os vasos e a chegada de sangue aos tecidos reduzem a capacidade da pele de resistir e se recuperar.
- Fricção e cisalhamento: como já explicado, arrastar a pessoa na cama ou manter a cabeceira muito elevada gera forças que agravam o risco mesmo com boa intenção no cuidado.
A enfermagem avalia o risco de forma estruturada
Além de observar esses fatores no dia a dia, a equipe de enfermagem faz uma avaliação de risco estruturada, usando instrumentos validados como a escala de Braden. Essa avaliação considera itens como mobilidade, percepção sensorial, umidade, nutrição, atividade e as forças de fricção e cisalhamento, e ajuda a definir a intensidade dos cuidados preventivos para aquela pessoa. Segundo a Nota Técnica da Anvisa (GVIMS/GGTES nº 03/2017), a avaliação de risco deve ser feita para todos os pacientes e repetida ao longo do tempo, pois o risco muda conforme o quadro evolui.
Na Human Life, essa avaliação de risco faz parte da avaliação presencial de enfermagem realizada antes de começar o cuidado, quando uma enfermeira conhece o seu familiar, examina a pele e monta o plano individualizado. Esse plano orienta o trabalho conjunto de prevenção no dia a dia entre a nossa equipe, o cuidador e a família. Você pode conhecer mais sobre como esse acompanhamento funciona nas páginas de enfermagem domiciliar e home care de alta complexidade.
Quais são os estágios da lesão por pressão?
A lesão por pressão é classificada em estágios que descrevem a profundidade do dano na pele e nos tecidos, do mais leve (Estágio 1, com a pele ainda íntegra) ao mais grave (Estágio 4). No Brasil, essa classificação segue o Consenso NPUAP 2016, traduzido e adaptado pelas associações de estomaterapia (SOBEST) e de enfermagem em dermatologia (SOBENDE). Em casa, o seu papel é diferente do da enfermagem: você não precisa "dar nota" ou definir o estágio da ferida. O estadiamento formal e a avaliação da lesão são atribuições do enfermeiro. O que a família e o cuidador aprendem é a reconhecer os sinais e avisar a equipe de enfermagem o quanto antes.
Ainda assim, entender o que cada estágio representa ajuda você a compreender a gravidade e a não subestimar sinais que parecem pequenos. Veja o que a família costuma observar em cada situação e qual é a conduta:
Estágio 1 — a pele ainda está íntegra (o alerta mais importante): aparece uma área avermelhada que não embranquece quando você pressiona com o dedo. Segundo a adaptação brasileira do Consenso NPUAP 2016, é uma "pele íntegra com área localizada de eritema que não embranquece". Em peles de tom mais escuro, a cor pode parecer diferente do vermelho (mais arroxeada, acastanhada ou apenas mais escura que a pele ao redor), e a região pode estar mais quente, mais fria, mais firme ou dolorida. Este é o sinal precoce mais valioso, porque nesta fase a pele ainda não se rompeu — aliviar a pressão e avisar a enfermagem cedo aumenta as chances de evitar que a lesão evolua, embora não haja garantia.
Estágio 2 — perda parcial da pele: a pele se rompe e surge uma ferida rasa, rosada ou avermelhada e úmida, ou então uma bolha (íntegra ou já rompida) com líquido claro por dentro. Pela definição do NPUAP 2016, há perda parcial da espessura da pele com exposição da derme. O que a família observa: uma "casquinha" que descamou, uma bolha ou uma feridinha superficial em ponto de pressão. Conduta: não furar a bolha, não aplicar nada por conta própria e avisar a enfermagem, que vai avaliar e definir o curativo.
Estágio 3 — perda total da pele: a ferida fica mais profunda, atingindo a camada de gordura abaixo da pele. Pode ter aspecto de "cratera" e, às vezes, tecido morto (amarelado ou escurecido) no leito. O que a família observa: ferida visivelmente mais funda, com bordas definidas. Conduta: comunicar a enfermagem imediatamente — feridas neste estágio exigem avaliação e conduta técnica.
Estágio 4 — perda total dos tecidos: o dano se aprofunda ainda mais, podendo expor músculo, tendão ou osso. É o estágio mais grave. Conduta: avisar a enfermagem sem demora; é uma situação que demanda cuidado profissional contínuo.
Lesão tissular profunda: a pele pode estar íntegra ou já rompida, mas apresenta uma área de cor arroxeada ou marrom-escura, ou uma bolha com sangue por dentro. Essa coloração indica que houve dano nos tecidos mais profundos, mesmo que por fora pareça pouca coisa. Por isso é importante nunca ignorar manchas roxas ou escuras em pontos de pressão — avise a enfermagem.
Lesão não classificável: é quando a ferida está coberta por tecido morto (crosta ou placa) e não dá para ver o fundo, o que impede definir o estágio até que a equipe de enfermagem faça a avaliação e a limpeza adequadas.
Reforce sempre o teste do dedo (teste do branqueamento): ao ver uma área avermelhada, pressione levemente com a ponta do dedo por alguns segundos e solte. Se a pele clarear e depois voltar à cor, geralmente é uma vermelhidão passageira. Se a área permanecer vermelha e não embranquecer, esse é um sinal de alerta de lesão por pressão em formação — alivie a pressão daquele ponto e comunique a enfermagem. Esse gesto simples, feito na inspeção diária, é uma das ferramentas mais úteis que a família tem em casa.
Como prevenir a lesão por pressão em casa?
Prevenir a lesão por pressão em casa depende de cinco frentes que caminham juntas: reposicionar (mudar a posição com regularidade), cuidar da pele, garantir nutrição e hidratação adequadas, usar a superfície de apoio certa (colchão e almofadas) e fazer a inspeção diária da pele. Nenhuma dessas medidas funciona sozinha — elas se somam. E, embora o cuidador e a família executem boa parte delas no dia a dia, todas devem ser orientadas e individualizadas pela enfermagem, porque cada pessoa acamada tem um risco e uma tolerância diferentes.
Na nossa atuação em enfermagem domiciliar, esse plano de prevenção não é genérico: antes de começar, uma enfermeira faz uma avaliação presencial, verifica os fatores de risco e monta o plano de cuidado individual, que o cuidador passa a seguir e ajustar sob orientação. Veja abaixo, em detalhe, como colocar cada frente em prática.
Reposicionamento (mudança de decúbito)
Reposicionar é mudar a pessoa de posição com regularidade para tirar o peso do corpo dos mesmos pontos de apoio e deixar o sangue voltar a circular ali. É a medida mais importante da prevenção. A referência clássica dos protocolos brasileiros (Ministério da Saúde/Anvisa, 2013) é a mudança de decúbito a cada 2 horas, com o entendimento de que "duas horas em uma única posição é o máximo de tempo recomendado" para quem tem circulação normal. A diretriz internacional mais recente (EPUAP/NPIAP/PPPIA, 2019) acrescenta que essa frequência deve ser individualizada conforme a mobilidade da pessoa, a tolerância da pele e a superfície de apoio em uso. Por isso, a enfermagem define o intervalo exato para o seu caso — 2 em 2 horas é um bom ponto de partida, mas pode ser diferente.
A técnica importa tanto quanto a frequência. Na prática, oriente-se por estes pontos:
- Faça o rodízio de posições: de costas (barriga para cima), de lado para a direita e de lado para a esquerda, alternando ao longo do dia conforme o plano.
- Ao deitar de lado, use a posição lateral a cerca de 30 graus, e não totalmente de lado a 90 graus. A 30 graus o corpo se apoia na parte carnuda do quadril, e não diretamente sobre o osso do quadril (trocânter) — isso reduz a pressão sobre a proeminência óssea.
- Coloque travesseiros ou coxins entre as pernas (entre joelhos e tornozelos) e um apoio nas costas para sustentar a posição de lado sem esforço.
- Suspenda os calcanhares: posicione um travesseiro sob as panturrilhas de forma que os calcanhares fiquem "flutuando", sem tocar o colchão. Os protocolos da Anvisa recomendam apoiar na altura da panturrilha para erguer os pés e proteger os calcanhares, que estão entre os pontos de maior risco.
- Mantenha a cabeceira da cama o mais baixa possível (respeitando as necessidades da pessoa, como alimentação ou respiração). Cabeceira muito elevada faz o corpo escorregar, o que gera cisalhamento — o deslizamento dos tecidos internos que agride a pele mesmo sem você perceber.
- Nunca arraste a pele. Para mover a pessoa na cama, use um lençol móvel (lençol dobrado sob o corpo) para elevar e reposicionar, ou role o corpo em bloco. Puxar arrastando aumenta a fricção e o cisalhamento.
- Reposicione também quem fica sentado. Na cadeira ou poltrona, a pressão sobre os ossos do bumbum (ísquios) é alta. Alivie o peso com frequência — inclinando levemente o tronco, ajudando a pessoa a mudar de apoio ou usando uma almofada adequada — e não deixe a pessoa sentada por longos períodos sem alívio.
Um detalhe humano: reposicionar de madrugada, na hora do banho, a cada troca — parece cansativo, e às vezes é mesmo. Se a rotina está pesada demais para uma pessoa só, isso é um sinal de que vale ter apoio. É exatamente esse tipo de continuidade que uma equipe de cuidado ajuda a sustentar, sem que o alívio da pressão falhe justamente à noite.
Cuidado com a pele
A pele de quem fica muito tempo acamado precisa ser mantida limpa, seca e hidratada — e, acima de tudo, protegida da umidade. A regra de ouro é simples: limpar com suavidade, secar sem esfregar e hidratar, controlando bem o contato prolongado com urina, fezes e suor. Na prática:
- Higiene suave: use água morna e sabonete neutro, sem esfregar com força. Atrito excessivo na hora do banho já é uma agressão à pele frágil.
- Secar dando toques (sem fricção): após o banho, seque a pele com a toalha em movimentos de leve pressão, especialmente nas dobras e entre os dedos. Nunca esfregue.
- Hidratar a pele regularmente com hidratante, mantendo-a flexível e menos sujeita a rachaduras. Importante: não massagear proeminências ósseas nem áreas avermelhadas durante a hidratação (explicamos o porquê na seção de mitos).
- Manejo da umidade e da incontinência: umidade constante deixa a pele fragilizada (macerada) e muito mais vulnerável. Troque fraldas e roupas de cama assim que houver sujidade, e converse com a enfermagem sobre o uso de um creme protetor de barreira na região genital e nas nádegas para isolar a pele do contato com urina e fezes. Quem escolhe e indica esse produto é a enfermagem, após avaliar a pele.
- Nada de talco. O talco não é recomendado para prevenir lesão por pressão: ele não cria uma barreira de proteção e pode se acumular nas dobras da pele. Para proteger a pele da umidade, o caminho é o creme de barreira indicado pela enfermagem — não o pó (mais sobre isso na seção de mitos).
Nutrição e hidratação
Uma pele bem nutrida e hidratada resiste melhor à pressão, e um corpo com boa oferta de proteína e calorias tem mais recursos para manter os tecidos saudáveis. Por isso, alimentação adequada e ingestão de líquidos fazem parte da prevenção da lesão por pressão — não são um detalhe à parte. As Notas Técnicas da Anvisa incluem a atenção ao estado nutricional entre as medidas preventivas.
Na prática em casa:
- Ofereça líquidos ao longo do dia (respeitando eventuais restrições médicas, como em alguns casos cardíacos ou renais). Desidratação deixa a pele mais frágil e é um fator de risco conhecido.
- Garanta uma alimentação rica em proteínas e com calorias suficientes. A proteína é matéria-prima para a manutenção e a recuperação dos tecidos.
- Fique atento à perda de apetite e de peso. Quem come pouco, mastiga com dificuldade ou emagreceu recentemente tende a ter mais risco.
- Conte com o nutricionista quando indicado. O ajuste fino da dieta, de suplementos ou de consistência dos alimentos (por exemplo, em quem tem dificuldade para engolir) é trabalho do profissional de nutrição, em conjunto com a equipe de saúde. Não inicie suplementos por conta própria — leve a dúvida à equipe.
Superfície de apoio
A superfície de apoio é o "chão" onde o corpo descansa: o colchão da cama e a almofada da cadeira. Colchões e almofadas de redistribuição de pressão espalham o peso do corpo por uma área maior, aliviando os pontos críticos — e são um apoio valioso na prevenção. Mas atenção: eles complementam, e não substituem o reposicionamento. Mesmo com o melhor colchão, a pessoa ainda precisa mudar de posição.
As Notas Técnicas da Anvisa recomendam o uso de colchão especial, almofadas e coxins para redistribuir a pressão. As opções mais comuns:
- Colchão de espuma viscoelástica (espuma de alta densidade): molda-se ao corpo e distribui melhor o peso do que o colchão comum. Costuma ser indicado para risco de leve a moderado.
- Colchão de ar com pressão alternada (colchão pneumático): tem células de ar que insuflam e esvaziam em ciclos, mudando automaticamente os pontos de apoio ao longo do tempo. É indicado geralmente para risco mais alto ou pessoas com mobilidade muito reduzida.
- Almofadas para a cadeira: para quem passa horas sentado, uma almofada de redistribuição (de ar ou espuma adequada) alivia a pressão sobre os ossos do bumbum. Cuidado: nem toda almofada serve — as em forma de argola/rosca são contraindicadas (veja a seção de mitos).
A escolha da superfície ideal depende do nível de risco, do peso, da mobilidade e do quadro geral — por isso essa indicação entra na avaliação de enfermagem, que orienta o que faz sentido para o seu caso.
Inspeção diária da pele
Inspecionar a pele todos os dias é o que permite identificar sinais precoces (como a vermelhidão que não embranquece) ainda na fase inicial, antes de a pele se romper — quando aliviar a pressão a tempo faz a maior diferença. A recomendação da Anvisa é clara: avaliação criteriosa da pele pelo menos uma vez ao dia, com atenção especial às proeminências ósseas. Um bom momento é durante o banho ou a troca, quando a pele já está à mostra.
Como fazer, na prática:
- Olhe todos os pontos de pressão, com boa iluminação: sacro (base da coluna), calcanhares, cotovelos, nuca, escápulas (de costas); quadril, tornozelos e orelhas (de lado); ossos do bumbum e sacro (sentado). Não esqueça de áreas escondidas, como sob dispositivos, sondas, máscaras de oxigênio ou dobras da pele.
- Procure sinais precoces: vermelhidão, manchas roxas ou escuras, calor, inchaço, endurecimento, bolhas ou qualquer mudança de cor e textura em relação ao redor.
- Faça o teste do branqueamento: pressione a área avermelhada com o dedo e solte. Se não embranquecer, é sinal de alerta — alivie a pressão e avise a enfermagem.
- Toque para comparar: a pele daquele ponto está mais quente, mais fria ou mais firme que a vizinha? Diferenças assim também contam.
- Registre e comunique. Anote o que viu (onde, quando, tamanho aproximado) e informe a equipe de enfermagem. Uma foto pode ajudar a acompanhar a evolução. Lembre-se: você observa e avisa; quem avalia, estadia e conduz é a enfermagem.
O que NÃO fazer: mitos comuns sobre escara
Alguns hábitos passados de geração em geração chegam a piorar a lesão por pressão em vez de prevenir. Os principais erros a evitar são: massagear áreas avermelhadas ou ossos salientes, usar almofada tipo argola/rosca, aplicar talco, esfregar a pele, furar bolhas, passar receitas caseiras na ferida e deixar a pessoa muito tempo na mesma posição. Entender o porquê de cada um ajuda a não repetir o engano.
- Não massagear áreas avermelhadas nem proeminências ósseas. Pode parecer que a massagem "ativa a circulação", mas as normas de prevenção da Anvisa e as diretrizes internacionais são claras: não se deve massagear áreas de proeminências ósseas nem regiões avermelhadas, e a massagem não é recomendada como estratégia de prevenção. Sobre uma área já sofrida, a massagem pode agravar o dano nos tecidos. O certo é aliviar a pressão, não massagear.
- Não usar almofada em forma de argola/rosca ("boia"). Parece que "tira o peso do meio", mas faz o contrário: concentra a pressão em um anel ao redor, prejudicando a circulação justamente na borda. Guias oficiais (como o da Secretaria de Saúde do DF) desaconselham dispositivos em forma de anel para elevar calcanhares e citam que anéis de espuma recortados em rosca causam maior pressão. Prefira as superfícies de redistribuição recomendadas pela enfermagem.
- Não usar talco. O talco não é recomendado para prevenir lesão por pressão: ele não cria barreira de proteção e pode se acumular nas dobras da pele. Para proteger a pele da umidade, o caminho é o creme de barreira indicado pela enfermagem — não o pó.
- Não esfregar a pele. Nem no banho, nem ao secar, nem ao hidratar. O atrito agride a pele frágil e favorece justamente o tipo de dano que você quer evitar. Toque com suavidade.
- Não furar bolhas. A bolha intacta funciona como uma barreira natural sobre o tecido; furar cria uma porta de entrada para infecção. Deixe como está e avise a enfermagem, que decide a conduta.
- Não aplicar receitas caseiras nem produtos por conta própria na ferida. Açúcar, borra de café, pomadas "que deram certo em outra pessoa", óleos, cicatrizantes de farmácia — nada disso deve ir sobre a lesão sem avaliação. A escolha do que usar na ferida é da equipe de enfermagem (ou do médico), conforme o tipo e o estágio da lesão. Aplicar qualquer coisa por conta própria pode mascarar sinais, causar reação ou infecção.
- Não deixar a pessoa muito tempo na mesma posição. Talvez o erro mais comum de todos. A pressão contínua sobre o mesmo ponto é a principal causa da lesão. Mesmo com colchão especial, mantenha o rodízio de posições conforme o plano da enfermagem.
Se restou dúvida sobre o que é mito e o que é cuidado seguro no caso do seu familiar, essa é exatamente a conversa que a nossa equipe de enfermagem faz na avaliação. Você pode falar com a nossa equipe para entender como montar a prevenção certa em casa.
Quem faz o que: prevenção, avaliação e curativo
Na lesão por pressão, cada tarefa tem um responsável claro. A prevenção no dia a dia (reposicionar, cuidar da pele, oferecer alimentação e líquidos, inspecionar a pele) é um trabalho conjunto: cuidador e família participam ativamente, sempre orientados pela enfermagem. Já a avaliação da lesão e o estadiamento formal são do enfermeiro, e o curativo é realizado pela equipe de enfermagem. O cuidador não faz curativo.
Essa divisão não é burocracia: ela protege o seu familiar. Uma ferida em acamado pode parecer simples por fora e ter um comprometimento maior por baixo. Quem tem formação para avaliar o que a pele mostra, decidir a conduta e acompanhar a evolução é o profissional de enfermagem.
O que a família e o cuidador fazem (orientados pela enfermagem)
- Reposicionamento (mudança de decúbito) na frequência e na técnica que a enfermagem definir
- Cuidado com a pele: higiene suave, secagem sem esfregar, hidratação e manejo da umidade
- Ajuda na alimentação e na hidratação, conforme o plano
- Inspeção diária da pele e do estado geral
- Reconhecer sinais de alerta e AVISAR a enfermagem rapidamente
O que é da enfermagem (não da família)
- Avaliar a lesão e fazer o estadiamento (do estágio 1 ao 4, lesão tissular profunda e não classificável)
- Realizar a consulta de enfermagem e montar o plano de cuidados
- Escolher e trocar o curativo conforme o tipo e o estágio da ferida
- Realizar desbridamento quando indicado (procedimento técnico)
- Acompanhar a evolução e reavaliar a conduta ao longo do tempo
Esse desenho tem respaldo legal e das normas do próprio conselho da categoria. A Lei nº 7.498/1986, que regulamenta o exercício da enfermagem, reserva ao enfermeiro os cuidados de maior complexidade técnica, que exigem base científica e decisão imediata. E a Resolução COFEN nº 787/2025 regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na prevenção e no tratamento de lesões cutâneas, cabendo ao enfermeiro realizar a consulta de enfermagem completa e indicar as coberturas e os produtos usados na ferida. Por isso a orientação para a família é sempre a mesma: vocês cuidam da prevenção e avisam; a enfermagem avalia e trata.
Como é o tratamento da lesão por pressão?
O tratamento da lesão por pressão é conduzido pela equipe de enfermagem, a partir de uma avaliação do enfermeiro. De forma geral, o processo envolve avaliar a ferida, limpar a lesão, escolher o curativo adequado ao tipo e ao estágio, remover tecido morto (desbridamento) quando necessário, cuidar da dor e ficar atento a sinais de infecção, sempre com reavaliação ao longo do tempo. Não há como prometer um prazo ou um desfecho: a evolução depende do estágio, do quadro geral da pessoa e da continuidade do cuidado.
Vale entender cada etapa para saber o que esperar e por que o acompanhamento profissional importa tanto:
- Avaliação e consulta de enfermagem. O enfermeiro examina a lesão, classifica o estágio, considera o quadro clínico (nutrição, mobilidade, doenças de base, dor) e monta o plano. Essa avaliação se repete: a ferida muda, e a conduta acompanha essa mudança.
- Limpeza da lesão. A ferida é higienizada com técnica adequada a cada troca de curativo, o que ajuda a manter o leito da lesão em melhores condições para o cuidado.
- Escolha do curativo. Existem muitos tipos de cobertura, e a indicação depende das características da ferida (mais seca ou com secreção, mais superficial ou profunda, com ou sem tecido morto). Essa escolha é da enfermagem ou do médico após avaliar. Por isso, neste guia, não indicamos pomada nem curativo específico: a mesma ferida pode precisar de coisas diferentes em momentos diferentes.
- Desbridamento quando necessário. Quando há tecido desvitalizado, pode ser preciso removê-lo para favorecer o cuidado da lesão. Desbridamento é procedimento técnico, feito pela enfermagem ou pelo médico, nunca pela família.
- Controle da dor e atenção à infecção. O manejo da dor e o olhar atento para sinais de infecção fazem parte do cuidado e orientam ajustes na conduta e a comunicação com o médico quando preciso.
- Continuidade e reavaliação. O ponto mais importante é a consistência. A prevenção continua durante todo o tratamento (reposicionar, cuidar da pele, nutrir), porque aliviar a pressão segue sendo essencial mesmo com a ferida já instalada.
Uma observação honesta: o tratamento cuida da lesão, mas o resultado não é garantido nem imediato. O que a equipe de enfermagem faz é conduzir o cuidado com técnica e acompanhar de perto. Quem promete cicatrização ou cura certa não está sendo honesto com você.
Sinais de alerta e sinais de infecção: quando chamar a enfermagem
Avise a enfermagem sempre que notar uma mudança na pele ou na ferida: uma área avermelhada que não some, uma pele que começa a se romper, uma lesão que aumenta, muda de cor, passa a doer mais ou apresenta secreção. Diante de sinais de infecção (calor, vermelhidão que aumenta ao redor, dor crescente, secreção ou pus, mau cheiro e febre), o contato deve ser rápido. Em situações de emergência, chame o SAMU 192.
Não é preciso saber estadiar nem diagnosticar. O seu papel é reconhecer que algo mudou e comunicar. Quanto mais cedo a enfermagem souber, mais cedo pode reavaliar e ajustar a conduta.
Sinais de alerta na pele e na ferida
- Vermelhidão que não embranquece ao apertar de leve com o dedo (sinal precoce importante)
- Área da pele que começa a se abrir, descamar ou formar bolha
- Ferida que aumenta de tamanho ou de profundidade
- Mudança na cor do leito da ferida ou da pele ao redor (inclusive tons arroxeados ou escurecidos)
- Aumento da dor no local
Sinais que podem indicar infecção
- Calor na região ao redor da ferida
- Vermelhidão que se espalha ou aumenta em volta da lesão
- Dor que vem piorando
- Secreção aumentada, purulenta (pus) ou com aspecto diferente
- Mau cheiro na ferida
- Febre ou piora do estado geral (mais sonolência, confusão, recusa alimentar)
Emergência é diferente de rotina. Febre alta, falta de ar, alteração importante da consciência, sangramento que não para ou qualquer sinal de risco à vida são emergência: chame o SAMU 192 imediatamente. A retaguarda de ambulância do home care não substitui o pronto-socorro nem o SAMU.
Como a Human Life cuida de quem tem risco ou lesão por pressão
A Human Life organiza o cuidado da lesão por pressão em três camadas que se completam: uma avaliação presencial de enfermagem antes de começar, a prevenção no dia a dia junto do cuidador e da família, e o enfermeiro avaliando a lesão enquanto a equipe de enfermagem realiza os curativos, com enfermagem 24h nos casos que exigem. Tudo sob a coordenação da enfermeira responsável técnica Larissa Santos Silva (COREN-SP 853880), em São Carlos e Ribeirão Preto.
Veja como cada camada funciona na prática:
- 1. Avaliação presencial de enfermagem. Antes de iniciar, uma enfermeira vai até a casa, avalia o risco e as condições da pele (usando ferramentas como a escala de Braden quando indicado) e monta um plano individualizado. Frequência de reposicionamento, cuidados com a pele, superfície de apoio e sinais a observar são definidos caso a caso, não por uma regra genérica.
- 2. Prevenção no dia a dia com o cuidador. O cuidador executa o plano com constância: mudança de decúbito, cuidado com a pele, apoio na alimentação e na hidratação e inspeção diária, sempre orientado pela enfermagem. Conheça mais sobre o trabalho dos nossos cuidadores.
- 3. Enfermeiro avalia e a equipe faz os curativos. Quando há lesão instalada, o enfermeiro avalia, classifica e define a conduta, e a equipe de enfermagem realiza os curativos conforme a prescrição e a evolução. Nos casos que exigem, há enfermagem 24h. Esse cuidado de maior complexidade é feito pela equipe com registro no COREN. Saiba mais sobre a enfermagem domiciliar e sobre o home care de alta complexidade da Human Life.
Além das três camadas, contamos com uma retaguarda de ambulância terceirizada disponível 24 horas, com uma remoção gratuita por mês. É importante ser transparente: essa retaguarda não é UTI e não substitui o pronto-socorro. Em emergência, o caminho é sempre o SAMU 192.
O que a Human Life entrega é cuidado técnico e contínuo, com honestidade sobre limites. Não prometemos cura nem prazo de cicatrização. Prometemos avaliação de enfermagem, prevenção bem feita no dia a dia e a equipe conduzindo o tratamento com acompanhamento de perto.
Perguntas frequentes
Escara tem cura?
Não há uma resposta única, e ninguém honesto vai garantir cura. A evolução de uma lesão por pressão depende do estágio da ferida, do quadro geral da pessoa (nutrição, mobilidade, doenças de base) e da continuidade do cuidado. Parte das lesões evolui bem quando há alívio da pressão, cuidado da pele, boa nutrição e tratamento conduzido pela equipe de enfermagem ou de saúde; outras são mais difíceis, e não há como garantir o desfecho. O papel do cuidado profissional é conduzir com técnica e acompanhar de perto, sem prometer um resultado.
Quanto tempo leva para uma escara se formar?
Pode ser mais rápido do que se imagina. Em pessoas com muito risco (acamadas, com baixa mobilidade, desnutrição ou umidade na pele), sinais iniciais como vermelhidão que não embranquece podem aparecer em poucas horas de pressão contínua sobre um mesmo ponto. É justamente por isso que o reposicionamento regular e a inspeção diária da pele são tão importantes: pegar cedo faz muita diferença.
Escara dói?
Muitas vezes sim, a lesão por pressão pode ser dolorosa, e a dor merece atenção no plano de cuidados. Mas nem sempre a dor está presente ou é percebida: pessoas com sensibilidade reduzida ou com alteração da consciência podem não sinalizar desconforto, mesmo com uma lesão importante. Por isso não se deve confiar só na dor como aviso; a inspeção diária da pele continua sendo essencial.
Qual pomada ou curativo usar na escara?
Não existe uma pomada ou curativo único que sirva para toda escara, e neste guia não indicamos produto por conta própria. A escolha depende das características da ferida (mais seca ou com secreção, superficial ou profunda, com ou sem tecido morto) e cabe à enfermagem ou ao médico após avaliar. Aplicar produto errado, ou receita caseira, pode atrapalhar o cuidado. O caminho seguro é uma avaliação de enfermagem.
Posso massagear a área avermelhada?
Não. Não se deve massagear áreas avermelhadas nem proeminências ósseas. As normas de prevenção da Anvisa e as diretrizes internacionais são claras: a massagem não é recomendada como estratégia de prevenção e pode até agravar a situação em uma pele já sob pressão. Se há vermelhidão que não embranquece, o caminho é aliviar a pressão naquele ponto e avisar a enfermagem, não esfregar ou massagear.
Cuidador pode fazer curativo de escara em casa?
O curativo de lesão por pressão é feito pela equipe de enfermagem, não pelo cuidador nem pela família. Trocar curativo, avaliar a ferida e decidir a cobertura exigem formação técnica, e a legislação e as normas da enfermagem reservam esse cuidado a profissionais habilitados. O cuidador participa ativamente da prevenção (reposicionar, cuidar da pele, inspecionar) e do reconhecimento de sinais de alerta, sempre orientado pela enfermagem.
De quanto em quanto tempo devo mudar a posição de quem está acamado?
A referência clássica dos protocolos brasileiros é mudar de posição a cada 2 horas, considerada o tempo máximo recomendado em uma única posição para quem tem circulação normal. Mas as diretrizes internacionais mais recentes reforçam que a frequência deve ser individualizada, conforme a mobilidade da pessoa, a tolerância da pele e a superfície de apoio em uso. Ou seja: 2 em 2 horas é um bom ponto de partida, e a enfermagem ajusta esse intervalo para cada caso.
Colchão especial resolve o problema sozinho?
Não. Colchões de redistribuição de pressão (espuma viscoelástica, colchão de ar com pressão alternada) e almofadas para a cadeira ajudam a distribuir a pressão e são parte importante do cuidado, mas complementam o reposicionamento, não o substituem. Mesmo com colchão especial, é preciso continuar mudando a posição, cuidando da pele, nutrindo e inspecionando. Confiar só no colchão é um erro comum e arriscado.
Escara, úlcera por pressão e lesão por pressão são a mesma coisa?
Na prática, sim: são nomes para o mesmo problema. "Lesão por pressão" é o termo técnico atual, adotado no Brasil após a mudança de terminologia do NPUAP em 2016 e a adaptação das sociedades brasileiras (SOBEST/SOBENDE). O termo foi trocado porque "úlcera" não descrevia bem os casos em que a pele ainda está íntegra (como o estágio 1). "Escara" e "úlcera por pressão" são os nomes mais antigos e populares, e você verá todos eles usados por aí.
A Human Life atende lesão por pressão em São Carlos e Ribeirão Preto?
Sim. A Human Life atende em São Carlos e Ribeirão Preto, com equipe de enfermagem com registro no COREN, sob a enfermeira responsável técnica Larissa Santos Silva (COREN-SP 853880). Antes de começar, uma enfermeira faz a avaliação presencial e monta o plano; a partir daí, a prevenção acontece no dia a dia com o cuidador, e a equipe de enfermagem conduz os curativos, com enfermagem 24h nos casos que exigem. Há ainda retaguarda de ambulância terceirizada 24h (que não é UTI e não substitui o pronto-socorro; emergência é SAMU 192).
Fale com a nossa equipe
Se o seu familiar tem risco ou já apresenta uma lesão por pressão, você não precisa conduzir isso sozinho. Nossa equipe de enfermagem pode fazer uma avaliação presencial, montar o plano de cuidados e acompanhar de perto, em São Carlos e Ribeirão Preto.
Fale com a nossa equipe e tire suas dúvidas sobre o cuidado de quem você ama.
Fontes
- Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 03/2017 — Práticas seguras para prevenção de Lesão por Pressão em serviços de saúde. Anvisa, 2017. Ver nota técnica
- Classificação das Lesões por Pressão — Consenso NPUAP 2016, adaptado culturalmente para o Brasil. SOBEST / SOBENDE, 2016. Ver documento
- Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline (3ª edição). EPUAP / NPIAP / PPPIA, 2019. Ver diretriz
- Guia Rápido de Prevenção e Tratamento de Lesão por Pressão. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), 2020. Ver guia
- Resolução COFEN nº 787/2025 — atuação da equipe de enfermagem na prevenção e tratamento de lesões cutâneas; e Lei nº 7.498/1986 (exercício da enfermagem). COFEN / Presidência da República. Resolução COFEN 787/2025 · Lei 7.498/1986



